quarta-feira, 2 de março de 2011

CONHEÇA UM POUCO MAIS SOBRE OS BLOCOS DE SÃO CRISTÓVÃO

Grupo Cultura da Senzala

O grupo Cultura da Senzala foi criado há dois anos e envolve crianças e adolescentes da comunidade do bairro Apicum, localizado na cidade de São Cristóvão. Coordenado pelos professores Irani Carvalho e Raimundo Teixeira, os quais reúnem-se semanalmente para desenvolver diversas atividades culturais com o público assistido.
De acordo com a professora Irani Carvalho, “o grupo tem o objetivo de resgatar as heranças afro-culturais nessa comunidade, que na sua maioria é negra mais não se conhece como tal por não conhecer suas origens”, explica.
Os adolescentes têm aulas de teatro, percussão, dança afro, hip hop e cidadania. O projeto é aberto a toda a comunidade, a partir dos 10 anos de idade e sem limite para sair do grupo. Além de ser gratuito.
O grupo já se apresentou em várias cidades de Sergipe e com passagem na capital baiana e em São Francisco do Conde, na Bahia. Ariagene Carmelo, integrante do grupo há mais de um ano, por exemplo, dança, toca percussão e faz aulas de teatro, e conta quais são os dias dos ensaios com a turma. “A gente ensaia dias de terça, quinta e sábado no Colégio Padre Gaspar Lourenço”, disse.

Fonte: Cultura da Senzala
Acesse: http://culturadasenzala.blogspot.com/ 


‘A Porta’
Assim como o Carnaval dos Carnavais do município de São Cristóvão, o bloco ‘A Porta’, completa 7 anos de avenida, dando asas à imaginação de um grupo de amigos que se reuniu em 2004 para prestar uma homenagem às pessoas do interior, onde a população tem o costume de colocar as cadeiras nas portas para conversar.
Segundo o integrante da coordenação do bloco ‘A Porta’, Márcio Luiz Alcântara, o bloco surgiu através da reunião de um grupo de amigos da rua do Rosário, que leva durante o percurso, uma porta de madeira, antes com quatro hastes, agora com seis, para que mais pessoas possam segurá-la, feita de madeira, sobre a qual pessoas dançam e durante esses sete anos, já foram utilizadas três portas de madeira.
A proposta ‘pegou’ e o bloco arrasta mais de 600 foliões pelas ruas de São Cristóvão. Este ano, foram feitas 700 camisas. O bloco se destaca na avenida nas cores: amarela, vermelha, azul, verde e branco.
A tradição do bloco é fazer o batismo da porta. Esta é colocada no chão, por onde passam todos os foliões e dão um giro, ainda sob a ela, batizando-a. Está confirmada a presença dos pernas-de-pau, que devem animar ainda mais a programação.
“No ano da copa do mundo, 2010, nosso bloco saiu com as camisas nas cores do Brasil para que no mês de junho, passado o Carnaval, as pessoas usassem as camisas do bloco ‘A Porta’, que vinha com o n° 6, indicando o hexacampeonato”, disse Márcio Luiz Alcântara.

Fonte: Coordenação do bloco A Porta



Bloco de Careta ou Bloco dos Sujos de D. Zil

Criado para abrigar os foliões excluídos dos blocos oficiais nos idos de 1959, o Bloco de Caretas, imortalizado como Bloco dos Sujos, fundado pela operária e costureira Maria Giselda, conhecida como Dona Zil, com o apoio de seu irmão Jaime Cardoso, que tocava trombone na banda de João Prado e que reuniu músicos amigos para puxar o bloco.
Composto, em sua maior parte, de foliões de baixa renda, convencionou-se fantasiar os homens de mulheres e vice-versa, tudo encoberto por caretas de papelão ou pano, para que não fossem reconhecidos. Contudo, muitos foliões, por não poderem comprar as caretas, ou por não ter providenciado em tempo, pintavam o rosto de carvão, daí a mudança de nome para Bloco dos Sujos.
Amigos, vizinhos, colegas de trabalho e os excluídos se reuniam na porta da casa de D. Zil, aos domingos e terças-feiras de carnaval, para dançar pela ruas do centro histórico, avenida da Fábrica Velha, Pintos e Apicum, arrastando muitos foliões de suas portas para brincar o carnaval.
No bloco, tinha figuras folclóricas, como Raimundo de Nicanor, gordo e barrigudo, que vestido de mulher parecia uma mulher grávida, Dinho, (in memorian), que vestido de mulher tocava um tambor fora do ritmo e continuava tocando sozinho depois que o bloco parava, pelas ruas da cidade, entre tantos outros.
O grande sucesso do bloco eram as apostas para descobrirem quem estava por trás das caretas e a condição para a parada do bloco na porta de alguém, era o dono da casa ter bebidas para distribuir com os foliões, que eram despejadas nos penicos e vasilhas que as caretas levavam.
Quando seu irmão Jaime, organizador da bandinha que puxava o bloco, passou no concurso da Petrobrás e foi embora para Salvador, D. Zil pensou em acabar com o bloco, porém o prefeito da época garantiu a banda para que o bloco não acabasse. Porém, por um bom tempo o carnaval de São Cristóvão, foi esquecido por algumas gestões, e aí D. Zil para manter o bloco nas ruas, assumiu as despesas com a banda, seu irmão Givaldo Araujo, comprou os instrumentos de percussão e contou com algumas pequenas ajudas.
 E o bloco dos sujos alegrou as ruas de nossa cidade durante trinta carnavais, até que em 1989, diante dos altos custos e sem nenhum incentivo do poder público, D. Zil despediu-se do carnaval, colocando seu bloco na rua pela última vez.
Neste ano de 2011, a família da fundadora resolveu prestar uma homenagem a essa mulher guerreira, trabalhadora que apesar dos reveses da vida nunca perdeu sua alegria, nem seu senso de humor, uma mulher muito moderna para sua época, que deixa um legado para a sua filha, netos e bisnetos, de trabalho, honestidade e acima de tudo de muita coragem.
Por isso, resolveu por colocar o Bloco dos Sujos na rua, sendo puxado pela boneca gigante que a representa, numa homenagem feita pelo saudoso Prefeito Zezinho da Everest, que fez renascer das cinzas o carnaval de São Cristóvão, e que se lembrou de homenagear figuras folclóricas da cidade,  entre elas, Dona Zil.
Abram alas que, aí vem Dona Zil à frente com seus 83 anos de amor à vida, o Bloco dos Sujos pede passagem.

Fonte: Coordenação

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